Recordações de um professor(a) I

Há tempos acompanho as discussões, os artigos, as saudáveis trocas de ideias que as participações de cada um aqui nesta rede social do Linkedin proporcionam. Me sinto tão favorecido por tudo que aqui aprendo, e por que não dizer, tão grato, que resolvi tirar da gaveta o projeto de escrever sobre algumas lembranças que há algum tempo tenho pensado em compartilhar.

A primeira é de quando eu tinha 14 anos, em 1978, com um professor de matemática, Cardoso, em um cursinho preparatório,  para concurso na CEFET (Uma escola técnica no Rio de Janeiro) e que fez diferença na minha vida. Ele nos disse: existem duas coisas de que vocês jamais se esquecerão nas suas vidas.

A primeira é a fórmula de Bhaskara. E recitou a fórmula.

E a segunda foi: “Quando você rapaz, disser para um amigo que ‘aquela menina está no papo’, que vai conquistá-la, há uma semana atrás ela disse o mesmo para uma amiga dela”.

Mais de 30 anos se passaram e eu não esqueci da fórmula até hoje, nem da simples e sábia segunda afirmativa. Aprendi com a segunda afirmativa o cuidado em não me colocar acima dos outros. Nem sempre consegui, mas o ensinamento esteve sempre presente na minha caminhada, seja pessoal, seja profissional.

Em síntese, o professor criou uma imagem que teve para mim um profundo significado. É a arte de ensinar. Os anos passam e o ensinamento fica, para ser testado, colocado à prova nos embates da vida. E quantas não são as situações que cada um de nós passa em que ensinamentos como este fazem tanta diferença?

Pensando na primeira afirmativa, confesso que embora eu saiba de cor até hoje a famosa fórmula, nunca vi uma aplicação prática para ela. O que hoje eu questiono é o porquê das escolas não ensinarem a teoria aliada à prática. Mas isso é uma outra discussão.

Voltando para a segunda afirmativa, interpretei que o professor quis dizer (entre outras coisas): seja humilde. E hoje percebo que a humildade é como uma lente que nos deixa entrever aquilo que não vemos quando nos colocamos acima do outro, quando pensamos que somos superiores. A humildade nos abre uma janela maior de compreensão das situações cotidianas, pois tiramos o foco de nós mesmos.

No futebol, muitas vezes, quando o time favorito perde, há um jargão que diz: o time entrou em campo “de salto alto”. Ou seja, menosprezou, achou que “estava no papo”. E quantas derrotas na vida podemos evitar se não entrarmos de “salto alto”?

Para finalizar este breve artigo, não posso deixar de considerar que também aprendi com a afirmação e lição desse professor que as mulheres são mais sagazes, no melhor sentido desta palavra, e que por mais que façamos, estão sempre à nossa frente. Ih, terminei com polêmica?

Então vamos redirecionar. Algum professor te ensinou algo que fez diferença na sua vida e você se lembra até hoje? Conta aí. Compartilha. É sempre bom aprendermos uns com os outros.



Say something!