Aprendizados no mundo corporativo I

Eu acredito firmemente que todos temos muito a aprender uns com os outros.

A vida é uma oportunidade inigualável de aprendizado, moral e intelectual. Aprendemos por meio da convivência, da vida em sociedade, que embora muitas vezes tão difícil, pode ser muito rica pela troca de experiências que nos possibilita. Seja na família,no trabalho, na escola, entre os amigos, onde estivermos.

O aprendizado pode começar das nossas observações do que acontece à nossa volta.

Na minha caminhada, na minha jornada, tenho várias recordações de muitos ensinamentos, que vieram de diversas formas. Em uma conversa no cotidiano, ou através da história de vida do outro. Todos temos uma rica história para contar. E nossas experiências são únicas.

Vou iniciar com algumas lembranças do mundo corporativo, embora ressalte que a oportunidade para aprender não precisa de hora nem de lugar marcado.

Um dos gerentes que mais me ensinou na minha vida profissional tinha apenas o segundo grau, como se chamava o ensino médio antigamente.

A cada vez que eu entrava na sala dele para tirar uma dúvida, buscar um entendimento, eu aprendia muito mais do que obtinha com a resposta para a minha dúvida. Em uma dessas ocasiões, ao procurá-lo ele me pergunta:

– Viu aquele funcionário que acaba de sair?

– Sim, eu vi.

– Pois é. Ele saiu furioso.

– Por que?

– Ele veio me contar que recebeu uma proposta de trabalho para ganhar 70% a mais.

– Não entendi. E o que você falou para ele ficar furioso?

– Ele me pediu para demiti-lo, para poder ter uma boa rescisão. E eu expliquei que não podia demiti-lo. Como um bom funcionário, não haveria como justificar sua demissão. Ele insistiu muito, mas não pude atendê-lo. Ele então saiu furioso.

– Ele deveria estar feliz pela nova oportunidade.

E aí, veio o ensinamento que eu nunca esqueci:

– Pois é Carlos (naquela época eu ainda não tinha apelido de Zeca). Sabe qual é um dos grandes problemas da humanidade?

– Qual?

– O homem quer sempre o melhor dos dois mundos. Neste caso o funcionário consegue um emprego para ganhar muito mais e não se contenta com isso.

Eu era jovem, foi um dos seus primeiros empregos. E quantas vezes vi isso acontecer no decorrer da minha vida. Situações em que queremos “o melhor dos dois mundos”. Com a lembrança deste ensinamento, muitas vezes consegui ponderar e tomar decisões mais conscientes em diversas situações em que passei por este dilema. Para mim muitas vezes foi uma luta não querer o melhor dos dois mundos.

Para darmos um passo adiante, muitas vezes é preciso desapegar. Ganha-se de um lado e perde-se do outro. O saldo é positivo?

E por “querermos o melhor dos dois mundos”, muitas vezes deixamos de seguir em frente e de aproveitar uma bela oportunidade que a vida nos oferece, ou gastamos energia desnecessária para conciliarmos o que é inconciliável. A vida é tão boa. E tão sábia. Devemos aprender a fazer a leitura do que ela está nos dizendo. Ao que está nos convidando.

E ao tomarmos as nossas decisões, fica o ensinamento que eu aprendi ainda jovem: “Um dos problemas da humanidade é que o homem quer sempre o melhor dos dois mundos”.



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